Todo dia ele passava em frente a uma padaria fabulosa. Ele olhava pela janela e via aqueles doces, salgados, bebidas...
E todas aquelas pessoas indo e vindo, perdidas na imensidão de gostosuras. Mas tudo o que ele podia fazer era apenas ficar olhando. A cada dez minutos uma fornada de pão francês chegava, com um cheiro arrebatador.
As tortas, os bolos, enfeitados de forma impecável, por mãos de verdadeiroa artistas.
E o homem nada podia fazer. Apenas escutar sua barriga roncar por tudo aquilo.
Certo dia, desesperado, decidiu que ia pegar um pão e sair de fininho. Ele queria saciar sua fome, que estava isuportável. Depois de se encorajar, ele entrou na padaria, encontrou um pãozinho, desprotegido... E o encarou, respirou fundo... pensou em desistir do roubo, mas seu estômago apenas o encorajava. Ele pegou o pão, encondeu na blusa suja e esfarrapada e saiu da padaria.
Feliz com o pão na mão, mas se sentindo culpada por ter pego o pão de forma incorreta, o homem começou a se deliciar. Era o melhor pão de sua vida interinha! Saciava sua fome com voracidade e ao mesmo tempo cauteloso, para não acabar logo com a comida.
Dias depois, o homem estava dormindo em seu papelão de sempre, quando um policial veio encher o saco. O que será que ele quer? pensou o homem, furioso por terem interrompido seu sono. Ao abrir os olhos, o policial logo o levantou e algemou suas mãos.
Ele havia sido descoberto. As câmeras da padaria não deixaram passar nada. O homem foi preso. Por roubar um pão, porque estava com fome.
O homem achou tudo aquilo tão injusto. Existe tanta pessoa por aí assaltando gente inocente, matando. E a única coisa que ele queria matar era sua fome. Mas nada que ele falasse ia adiantar alguma coisa, afinal, roubar é roubar, não é?
O homem ficou na cadeia por alguns meses, até ser liberado para dar lugar a mais algum injustiçado. Voltou a seu papelão, seu cobertor e voltou à padaria . . .
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